Assista a última entrevista de Túlio Campello ao Agora Vale
21/07/2008
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11h08
Na manhã deste domingo, 20 de julho, o ex-pracinha da FEB, ex-provedor da Santa Casa, ex-vereador em Pindamonhangaba, advogado Túlio Campello de Souza faleceu em São José dos Campos, as 7h da manhã.
Tulio Campello de Souza concedeu sua última entrevista ao PindaVale em outubro de 2007
Há 15 dias internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em São José dos Campos, faleceu na manhã deste domingo o dr. Túlio Campello de Souza, pessoa ilustre da sociedade e que dedicou boa parte de sua vida às causas do município.
Seu corpo foi trazido pela família e foi velado na Igreja São Judas, em frente ao Bosque, bem próximo da casa onde sempre morou e constituiu família na cidade. O sepultamento ocorreu do domingo, às 17h, no cemitério Municipal. Durante a solenidade fúnebre, parentes, amigos e autoridades, como o prefeito municipal João Ribeiro, além de autoridades militares, prestaram homenagens ao ex-combatente, inclusive com um salva de tiros e estendendo sobre o caixão uma bandeira da pátria.
Em entrevista ao PindaVale em outubro de 2007, o descontraído Sr. Túlio recebeu a reportagem em sua casa e contou detalhes de sua ida à Gerra Mundial junto de bravos brasileiros, bem como seu retorno e recepção nom país, onde viera cheio de histórias e conquistas, superando com alegria um acidente no campo de batalha que quase lhe custara a vida:
Confira abaixo, o vídeo da entrevista e o artigo, por Luiz Guilherme:
"Túlio Campello de Souza – Uma vida plena, marcada pela Guerra" Em 1944, aos 24 anos, ele ingressara no Centro Preparatório do Exército Brasileiro, em São Paulo, de onde saiu 2º Tenente da Reserva de Infantaria. Logo em seguida, integrara a FEB – Força Expedicionária Brasileira, que seguiu rumo à Itália, em embarcações navais da Marinha Norte-Americana. Em 16 de junho de 1944, O jovem integrante da FEB juntava-se aos Aliados, no combate ao Eixo, formado por japoneses, italianos e alemães, capitaneados por Adolph Hitler, durante a 2ª Guerra Mundial.
Assim começou a história militar de mais um brasileiro que, ainda jovem, deixou a faculdade e serviu sua pátria no 'front' de batalha, com o próprio sangue. Túlio Campello de Souza, nascido em 28 de setembro de 1920, recorda-se com clareza de todas as etapas marcantes dessa jornada, que quase lhe custou a vida, e custara a de muitos amigos e compatriotas.
"Não foi fácil para os brasileiros, acostumados ao clima tropical, e que chegaram em pleno verão europeu, adaptarem-se ao outono e em seguida ao inverno na Itália" comentou Campello. Segundo ele, se não fosse o equipamento e uniformes americanos, distribuído também para soldados brasileiros, seria inviável a permanência deles naquela península.
Porém, 9 meses depois de chegar a Itália e ingressar em diversas missões da FEB, juntamente com soldados franceses e americanos, Túlio acabou ferido enquanto avançavam em Monte Castelo, recuando os alemães. Uma mina anti-pessoal, obviamente não sinalizada, feriu-lhe gravemente na parte inferior de sua perna direita. Ele desacordou...
Recolhido, e de acordo com as possibilidades dos Aliados no momento, foi integrado ao 4º Corpo do 5º Exército Norte-Americano e levado ao estado de Utah, nos EUA, onde recebeu tratamento médico e cirúrgico. Segundo ele, um total de 50 brasileiros foi levado a este hospital, para receber o tratamento adequado, pois não havia recursos semelhantes no país.
Entre março de 1945 a agosto de 1946, Túlio Campello esteve entre norte-americanos, absorvendo sua cultura e recuperando-se do ferimento, que lhe custou o tornozelo, que teve de ser amputado. Mas nada que atrapalhasse o futuro promissor deste jovem e 'sortudo' rapaz, que sobreviveu à guerra e um ferimento de mina, voltou condecorado, já adaptado a uma prótese, com dólares e com um 'carrão' americano, que trouxera de navio, e sem taxa de importação...
Chegou ao Rio de Janeiro, com seu Pontiac hidramático (carro sem embreagem e com o câmbio na mão) e seguiu rumo à sua cidade natal, São Paulo, onde trabalhou por breve período, ainda em 46. Em 47 reformou-se do Exército Brasileiro, e em 1948, o jovem Túlio resolveu mudar-se para Pindamonhangaba. "Cidade cuja hospitalidade já era famosa e já havia muita tradição" Comentou. Além disso, por ainda não estar adaptada aos automóveis a propulsão combustível (na época ainda eram mais comuns os carros-de-boi), as ruas da cidade podiam ser trafegadas nas duas mãos.
"A cidade era muito menor e não tinha prédios altos. Logo montei meu escritório de advocacia no centro da cidade, em um ponto atrás da igreja Matriz". Segundo Campello, isso foi em 1951. Foi em Pinda também que Túlio casou com Nilza Aparecida, com quem teve e criou 5 filhos: Maurício, Maria Beatriz, Maria Sílvia, Marcos e Maria Lúcia.
Ativo na vida pública municipal, Túlio advogou na cidade; foi vereador com vários mandatos. "Na época a profissão não era remunerada". Ressaltou; foi candidato a prefeito; integra e Academia Pindamonhangabense de Letras; foi provedor da Santa Casa de Misericórdia; e como hobby, ainda pratica a música. "Eu tenho é memória musical, não sei ler partituras. Apenas toco as melodias e dedilho um acompanhamento no piano, não muito sofisticado." Descontrai. Em 1965, aproximadamente, Túlio mandou importar seu segundo carro americano, que também era hidramático, precisamente para atender sua necessidade especial.
È certo que este ilustre pindamonhangabense, mesmo aqui não tendo nascido, acolheu e foi acolhido pela cidade, ainda em seu início de crescimento perante outros municípios do Vale. Mas seu bom-humor, vontade de viver e de superar os obstáculos que a vida apresentou, rendeu-lhe notáveis feitos, que com certeza, o imortalizam perante a cidade, estado e país.
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