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Coluna "Código Tributário"
31/07/2008 - 16h17

Quem vigia os vigilantes?

 

Interessante observar que para cada novo 'sintoma cancerígeno' à sociedade oriundo das potestades político-administrativas a mesma responde com o surgimento de 'grupos de vigilantes' (na quase totalidade: cibernéticos) da moral, ética e bons costumes.

 

É inegável que esses "superagentes" do bem são pessoas de boa índole entre outras centenas de virtudes e que realmente almejam o cessar de todos os problemas nacionais. Porém a boa vontade é anulada pela falta ação - ação política - e, principalmente, pela inversão na interpretação da relação causa x efeito dos problemas que tentam combater.

 

Tornou-se premissa, para muitos grupos e situações, a ausência da visão da ação política/administrativa e esta ausência é comumente substituída por cartazes e passeatas contra alguma coisa (quando há atitude real). Na internet não faltam blogs, sites, e outras armas veiculando posições contra a CPMF; CSS; fora lula; abaixo a corrupção; calculadoras de índices sociais e tributários que não revelam muita coisa útil, etc, etc, etc.

 

O recorde em arrecadação tributária, por exemplo, fez com que os vigilantes da web relembrassem os números do Impostometro, escreveram artigos críticos fazendo questão de lembrar que o recorde ocorreu sem a CPMF. Recorreram a defesa de velhas idéias como imposto único, reforma tributária, etc. Atitudes paliativas de uma tentativa de se fazer alguma coisa no âmbito político por pessoas que, normalmente, rejeitam a política (!).

 

Este erro social, achar que o mundo vai mudar sem ação real dentro da política, é o que impede a muitos de perceberem que o que tentam combater (corrupção, alta carga tributária, dirigentes inaptos, etc.) representam apenas efeitos do mal original que é o modelo de gestão instituído - centralista e distanciado. Não é o dirigente fulano ou o beltrano que é responsável pelos aumentos tributários, mas sim é o custo administrativo que resulta do modelo de gestão atual e isto é premissa em qualquer relação problemática que se possa citar.

 

Ao cidadão talvez falte (seria esta falta também fruto do atual sistema político-administrativo que vivemos?) a capacidade de autovigilância política. Isto não implica em todos sendo candidatos, em todos se filiando a partidos. Implica em prestar mais atenção a fatos e atos próprios. Quem devemos temer mais? Os agentes mancomunados com o Status Quo ou os que, por meios políticos, tentam modificar esta ordem? O certo é que os corruptos tem menos a temer destes vigilantes sem ação política do que de ideais como descentralização e autonomia local para decisões.

 

A Frase "quem vigia os vigilantes" é de Juvenal (Quis custodiet ipsos custodies) e retomada por Alan Moore na Graphic Novel Watchmen (who watches the watchmen?).

 

contato: wagnercgodoi@gmail.com

 


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