Luiz Pereira Bueno, José Carlos Pace, Paulo Gomes, Artur Bragantini, Tite Catapani, Mário Patti, Bob Sharp, Edgard Mello Filho, Marivaldo Fernandes. Você conhece esses senhores? Se não conhece, saiba que eles fazem parte da história do automobilismo brasileiro.
Sinceramente, alguns desses nomes também são novos para mim, e desde já peço desculpas às dezenas de outros ex-pilotos não citados nesta matéria. São heróis de uma época pouco divulgada do nosso automobilismo, mas que permanecem na memória de clubes, familiares, fãs e amigos, que procuram resgatá-los de alguma forma. E a palavra “resgate” exprime exatamente o sentido da recém-criada (em 2007) categoria Históricos V8.
A idéia nasceu há uns cinco anos quando os amigos Edilson Hiluey e David Brunstein, proprietários de Maverick V8 preparados de rua, começaram a participar de Track Days em Interlagos. Segundo David, “no primeiro Track Day eu conheci o autódromo, no segundo eu abusei um pouco e no terceiro já estava marcando tempo. Aí percebemos que nossos veículos não estavam preparados para esse tipo de brincadeira.”
Daí, os dois amigos idealizaram um campeonato para motores V8 (basicamente os 302 dos Maverick e 318 dos Dodge) com preparação próxima ao modelo original e consequentemente baixo custo. Apresentaram o regulamento à FASP e em 2007 finalmente houve a primeira corrida, com apenas dois Maverick. A temporada de 2009 terminou com seis Maverick V8 largando e em 2010 há previsão de pelo menos mais quatro participantes. Além destes, correm mais dois Maverick V8 na Força Livre, já que a Históricos V8 faz parte do Campeonato Paulista de Velocidade no Asfalto.
Voltando à preparação dos carros, o regulamento é bem restrito quanto a câmbio, freios (os dois devem ser originais) e peso mínimo (1300 kgs com piloto, no fim da corrida), mas vem se aprimorando a fim de dar mais segurança aos pilotos, afinal emoção tem limites. Mesmo assim, um bólido da Históricos V8 tem aproximadamente 280 HP´s, limitados basicamente pelo carburador Bijet (Quadrijet é proibido) e alcança aproximadamente 220 km/h a 6.000 rpm em Interlagos.
 |
 |
Se considerarmos que se trata de um carro com pelo menos trinta anos, sem nenhuma ajuda eletrônica e que vira em Interlagos um tempo de 2:05 (tempo de classificação de Hamilton Roschel, filho do Sr. Amilton, na última etapa de 2009), dá para imaginar quanta emoção há na direção desses “trovões”. Para se ter uma idéia, o carro 21 de Edilson mantém parte do painel intacto com velocímetro em pleno funcionamento. Eu fui assistir à última etapa do campeonato no dia 12 de Dezembro e tive o prazer de conhecer e conversar com os pilotos e sentir que eles querem resgatar os carros, o prazer da “pilotagem mecânica” e, como já dito, os pilotos de outros tempos. Inclusive é comum vê-los passeando pelos boxes, passando um pouco da experiência aos seus “discípulos”.
Ainda como demonstração do espírito da categoria, os carros começaram recentemente a ser decorados de acordo com os bólidos de outrora. Sendo assim, o carro nº 8 foi inspirado no carro que venceu a 25 horas de Interlagos de 1975, patrocinado pela Manah, e que foi pilotado por Tite Catapani, Artur Bragantini e Mário Patti. O de nº 22 segue a decoração de um veículo da equipe Greco, patrocinado pela Mercantil Finasa, e pilotado por Bob Sharp, Paulo Gomes, José Carlos Pace, Edgard Mello Filho e Marivaldo Fernandes. Já para o nº 11, a inspiração veio do Maverick Holliywood Berta, que foi pilotado por Luiz Pereira Bueno e Tite Catapani.
Desde já, quero agradecer a:
- Sr. Reinaldo Hernandez, pelo convite para ficar nos boxes e acompanhar toda a movimentação do evento;
- Sr. Amilton Roschel, por me apresentar aos pilotos (e alguns ex-pilotos que estavam presentes naquele dia) e iniciar o bate-papo que resultou nesta matéria;
- Srs. David Brunstein e Edilson Hiluey, pela paciência em me contar sobre a idéia e a luta para criar esta nova categoria;
- Todos os pilotos, que conseguiram transformar em palavras a emoção de dirigir estas máquinas em Interlagos;
- Sr. Lázaro, que me permitiu acompanhar seu filho Fábio no carro-madrinha na volta de apresentação, em um Maverick V8, lógico (a quem interessar, tenho isto filmado);
Por último, e não menos importante, informações podem ser consultadas no site da FASP, onde se encontram os regulamentos técnico e desportivo da Históricos V8.
Como se vê, é uma categoria para amadores e amantes do automobilismo, dos motores V8 e dos pilotos e automóveis que fizeram história no nosso automobilismo e, por que não, em nossas ruas. Tem muita gente que ainda se arrepia ao som dos Vê-oitões, entre os quais eu me incluo.
Aqui está uma apresentação do Maverick Hollywood Berta em um encontro de carros antigos, em São Lourenço/MG, com a presença de Luiz Pereira Bueno. Notem a largura dos pára-lamas!
Dúvidas, comentários e sugestões, entre em contato pelo mtbfurtado@hotmail.com .
Até a próxima.