A UBT É CATÓLICA?
Em meus versos, de alma nua,
a ti, eu canto louvores,
SÃO FRANCISCO, Irmão da Lua,
do Sol e dos Trovadores!
MARISA VIEIRA OLIVAES
Eu vi minha mãe rezando
aos pés da Virgem Maria;
era uma santa escutando
o que outra santa dizia!
BARRETO COUTINHO
Uma correspondência enviada pelo “Magnífico Trovador” Pedro Ornellas aos trovadores brasileiros chamou-me a atenção, quando ele afirma que a União Brasileira de Trovadores (UBT) é católica e aponta, como evidências, o fato de ter São Francisco por Patrono; de incluir na programação da maioria dos festejos trovísticos a Missa em Trovas, criada pelo Poeta Antonio Augusto de Assis; de lançar como tema de muitos de seus concursos, nomes de santos ou algo que esteja ligado apenas ao catolicismo. Ao mesmo tempo ele afirma que nos estatutos da UBT consta que a Entidade prega a “neutralidade religiosa”.
Ora, este é um tema sobre o qual ainda não havia me ocorrido dissertar, porém, trata-se de uma realidade que de fato causa um certo desconforto. Partindo-se do princípio de que não se deve envolver religião em quaisquer atividades que contem com pessoas dos mais diversos credos, sendo a poesia um dom e uma arte de cunho universal, como é que não caiu a ficha antes? O Pedro tem razão: Luiz Otávio, quando criou os estatutos da UBT, talvez não tenha meditado a respeito dessa particularidade, visto que não devemos dificultar o acesso de adeptos de qualquer crença a fazer parte de uma entidade de alcance nacional e, hoje, até internacional.
Se tal dificuldade não pode existir, então o estatuto, nesse item, precisaria ser reformulado? A Entidade deixaria de ter um Patrono? Os concursos por ela supervisionados passariam a proibir a inclusão da Missa em Trovas em suas festividades, bem como a adoção dos temas católicos em seus concursos?
Penso que a inclusão da Missa é até contornável, uma vez que só compareceriam a ela os que fossem adeptos, como é feito atualmente. Mas na questão da leitura da Oração de São Francisco nas reuniões da Entidade e, até mesmo, nas solenidades de entrega de prêmios, que, nesse caso, envolve não só poetas mas toda uma platéia e autoridades, o constrangimento é inevitável.
Apenas o afastamento das atividades, deixando de concorrer, como o tem feito paulatinamente o grande poeta Pedro Ornellas, representa uma irreparável perda para o movimento trovístico. Quanto a reformular estatutos, duvido também que alguém ouse alterar itens tão fundamentais, que foram elaborados por Luiz Otávio, sob o risco de afrontar a memória daquele que criou esse Império de Sonhos do qual hoje desfrutamos.
E concluo meu raciocínio de forma reticente: o poeta Pedro Ornellas tem razão mas, e daí? Quem tiver a solução que a aponte (se é que há), ou então, que continue orando com os demais...
EM TEMPO = embora não freqüentador de igrejas, sou católico.
José Ouverney