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Farofa de Içá Torrado
("... A içá torrada venceu todas as resistências,urbanizando-se
mesmo, quase tão completamente como a mandioca,
o feijão, o milho e a pimenta da terra. Pretendeu-se
que os jesuítas, no intuito de livrarem as lavouras
da praga das saúvas, tivessem contribuido para
disseminar entre os paulistas o gosto por essa
iguaria. Nada há de inacreditável em tal suposição,uma
vez que já os primeiros escritos de missionários
inacianos em terra brasileira, mencionam a içá
como prato saboroso e saudável. Nos meses de setembro
e outubro, em que saem aos bandos essas formigas
aladas, buscava-as com sofreguidão, nos seus quintais,
a gente de São Paulo, e ainda em pleno século
XIX, com grande escândalo, para os estudantes
forasteiros
eram apregoadas elas no centro da cidade pelas
pretas de quitanda, ao lado das comidas tradicionais:
biscoito de polvilho, pés-de-moleque, furrundum
de cidra, cuscuz de baqre ou camarão, pinhão quente,
batata assada ao forno, cará cozido...")
Sérgio Huarque de Holanda - "Caminhos e Fronteiras"
Por todo o Vale do Paraíba sempre houve grandes
apreciadores de içás.
Monteiro Lobato foi grande apreciador da iguaria
e a ela se refere em vários textos de sua obra
sempre plena de indicações de caráter folclórico.
Lobato certa vez disse que a içá é o caviar da
gente taubateana.
Modo de Fazer:
Limpam-se as içás das perninhas e cabeças. Em
seguida, põe-se de molho em água e sal por cerca
de 1/2 hora. Escorre-se bem e leva-se ao fogo,
em frigideira com gordura mexendo-se sempre para
não queimar. Quando estiverem bem torradas,acrescenta-se
farinha de mandioca, mexendo-se sempre, resultando
a farofa, ja pronta para ser comida acompanhada
de café. Se quiser, coloca-se em pequeno pilão,
juntando-se farinha a gosto, daí resultando uma
paçoca de içás. |