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FATOS HISTÓRICOS
Aspecto da vida urbana na cidade imperial
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Rua Marechal Deodoro, proximidades do Clube Literário e Recreativo nos anos 30 |
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FONTE: “O Visconde da Palmeira e a cidade Imperial ”José Maurício Puppio Marcondes
Todos os viajantes cronistas ou pintores, que passaram pela então “Vila Real de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Pindamonhangaba” em princípios do séc..XIX, atestariam o fato de que a futura “Princesa do Norte” ainda não seria mais do que uma “Vila Inexpressiva”.
Local de moradia de “algumas famílias de estirpe”, como se dizia, economia de subsistência agrícola, sítio urbano com poucas casas, algumas ruas e nenhuma edificação expressiva, assim retrataram Pindamonhangaba entre 1817 a 1827 quando pôr aqui passaram: Spix e Martius (1817), Thomas Ender (1817), Saint-Hilaire(1822), Alcide D’Orbieny (1826) e Debret (1827).
Desta forma registrava suas impressões sobre a vila, Augusto de Saint Hilaire em 1822:
“...O caminho passa ao lado do villarejo de Pindamonhangaba, pouco importante e apenas consta de uma rua. As casas são baixas e geralmente bem conservadas. Existem em Pindamonhangaba três Igrejas muito pequenas. Entrei na principal e achei-a escura e bastante feia...”
Além das informações que esses verdadeiros “Repórteres-Viajantes” do século passado nos legaram, fundamenta-se o conhecimento sobre o estágio de desenvolvimento da cidade naquela época, em outras fontes de informação dos arquivos públicos tais como dados estatísticos, senso demográficos, atas, inventários etc.
Na data da proclamação da Independência em 1822 achava-se a vila conforme descrita por esses viajantes com pouco mais que 5.000 pessoas habitando suas moradias espalhadas pelas áreas rurais e na vila propriamente dita.
Com poucas casas e algumas ruas, a Vila Real Nossa Senhora do Bom Sucesso de Pindamonhangaba, tinha seu contorno definido pelo Largo do Porto ao Norte, as margens do Paraíba (atual Bosque da Princesa), o Largo dos Homens à oeste (Praça Padre Fialho), o largo de São José à Leste (Praça Barão do Rio Branco) e o Largo do Teatro (Praça Mons. Marcondes) que se formaria mais tarde na parte sul deste núcleo original.
O Porto até então seria o ponto de atração e atividade principal daquele núcleo urbano. Com pouquíssimas e precárias vias de circulação térreas, ligando a vila ao restante do Vale do Paraíba, constituía-se o Rio Paraíba uma das suas principais rotas de circulação, até aquela época.
A estrada que provinha das Minas Gerais através de São Bento do Sapucaí também desembocava junto ao porto, trazendo mercadorias e pessoas que faziam a vitalidade do lugar.
Paulatinamente, à medida que a Vila vai se desenvolvendo e o porto vai perdendo sua importância frente aos outros meios de circulação e transporte, também irá deslocar seu núcleo de atração cada vez mais para a parte alta da cidade, incrementando a urbanização junto aos “Largos” já citados, dos homens, São José e Largo do teatro. As ruas que cortam a cidade no sentido leste - oeste, ou São Paulo - Rio, tiveram sempre muita importância por ser este o sentido de maior tráfego através do município, no mesmo eixo de direção portanto do próprio Vale do Paraíba.
Primeiramente a atual Rua Marechal Deodoro (do comércio, constituição, Carlos Gomes) depois a Bicudo Leme (do comércio) e mais tarde dos Andradas, seriam nesta seqüência as artérias que acompanhariam o desenvolvimento da vila e posteriormente da cidade.
A rua formosa (Dep.Claro Cesar) se constituiu desde o início a principal via de ligação norte-sul da cidade unindo o largo do Porto (atual Bosque da Princesa) ao largo do teatro (antiga praça Formosa, atual praça Monsenhor Marcondes).
Tão antigos quanto a vila seriam outros bairros periféricos surgidos logo que os primeiros povoadores por aqui se estabeleceram: Coruputuba, Taipas, Barranco Alto (atual Moreira Cesar), todos ao longo do caminho São Paulo-Rio, no sentido de Guaratinguetá, e Una, Socorro e Mombaça, no caminho para Taubaté.
Mais próximos ao núcleo urbano principal outros bairros circunvizinhos iam se formando conforme este se desenvolvia; Tabaú, Santana, Crispim, Boa Vista, Galega e São Benedito.
Alguns destes bairros pareciam adquirir vida própria inclusive no que se refere á festas religiosas. À comprovar, transcrevemos um trecho extraído das páginas da “Tribuna do Norte”, já no final daquele século a 21 de junho de 1895 com referência ao bairro de Santana e sua festa;
“A um quilômetro desta cidade, na rua que da Matriz segue para o Ribeirão, aquém pouco deste, destaca-se um imponente largo denominado Largo de Sant’Anna, onde a expensas de alguns devotos e tenaz constância do Sr. Capitão João de Freitas, se construiu uma igrejinha diguina de guardar em seu seio a imagem de nossa Mãe, além da Igreja circunda-o na direção casas e actualmente, época em que vai começar a suffragaçâo da Santa, está o mesmo Largo constituido em uma freguesia, se vendo de um e de outro lado, ranchos e barracas, como se fosse um segundo Tremembé, e ao fundo da Igrejinha um grande circo para serem farpeados alguns touros valentes.”
Como se vê pelo texto, a festa de Tremembé já era famosa e a comunidade de Santana também produzia a sua, demonstrando a vitalidade do bairro, na época separado á 1 Km do centro da cidade. Moravam nestes bairros periféricos a maioria das pessoas mais simples, mas em qualquer um deles também conviviam abastados proprietários das maiores chácaras.
Estas chácaras eram profusas por toda a cidade naquela época. Por entre agrupamentos de casas e principalmente entre o centro da cidade e os demais bairros periféricos, inúmeras destas chácaras preenchiam os espaços urbanos abrigando pomares, hortas, jardins, alamedas arborizadas, fontes de água e criação de pássaros, aves e animais domésticos.
Muitas destas chácaras principalmente as das famílias mais ricas, permaneceram como “oásis” dentro do processo de crescimento e urbanização da cidade ao longo de décadas até que se transformariam mais cedo ou mais tarde em loteamentos urbanos.
Um destes exemplos a vasta chácara, que pertenceu ao Cel. Francisco Bicudo de Mello ,tinha como sede um grande sobrado que fazia frente para o largo dos homens (Praça Padre Fialho). O seu “quintal” abrangia mais ou menos o que são hoje os bairros da Vila Nair, Galega e da Quadra Coberta. O Cel. desenvolvia ali até grandes plantações de café: “...No bairro da Gallega plantou alguns mil pés de café e formou então uma bella chácara...”, nos informa o professor Athayde á pág. 158.
Mesmo na área mais central da cidade a maioria das propriedades urbanas possuíam grandes quintais. Em uma época que não havia rede pública de água , um bom poço ou uma boa fonte de água seriam sem dúvida fatores de valorização imobiliária à propriedade, dada a importância destes recursos.
Encontramos em alguns anúncios imobiliários nas páginas do jornal “O Diário do Norte”, especialmente aquele de 04 de maio de 1877, alguns exemplos que reforçam nosso argumento:
“Casa a venda”
“Vende-se nesta cidade uma grande e bem constru-da casa de morada para numerosa família.Tem boa gua pot vel no quintal e muitos arvoredos frutíferos.
Está situada numa das melhores ruas. Para maiores informações tratar nesta redação”
Ou ainda este outro ofertando desta vez para locação outra residência e destacando o anúncio os predicativos do imóvel:
“ CHALET “
“Aluga-se em conta o bonito sobrado do Largo do Ypiranga com bons cômodos para família regular.
Acabado de novo, pintado e forrado papel com grande quintal e poÎo próprio, para uma família de tratamento de fora, que queira mudar-se para aqui, faz-se trato por ano.
Tratar na Rua da Constituição nº 18.”
Além das qualidades da construção nova e a forração de papel nas paredes, item primordial as construções mais refinadas, ressaltava a publicação a existência do “Grande quintal e poço próprio.”
DATAS HISTÓRICAS
1822 - Independência do Brasil - Quando o Príncipe D. Pedro passou por Pindamonhangaba, com destino a São Paulo, em 1822, á sua Guarda de Honra incorporaram - se os oficiais da mesma Guarde aqui residentes, em números de 14, dos quais apenas quatro deixaram de o fazer por motivos justos:
01 - Coronel Manuel Marcondes de Oliveira e Mello
02 - Capitão João Monteiro do Amaral
03 - Tenente Mor Francisco Bueno Garcia Leme
04 - Sargento Mor Domingos Marcondes de Amaral
05 - Alferes Manoel Ribeiro do Amaral
06 - Alferes Adriano Gomes Viera de Almeida
07 - Antônio Marcondes Homem de Mello
08 - Capitão Benedito Correa da Silva
09 - Miguel de Godoy Moreira e Costa
10 - Capitão Manuel de Godoy Moreira.
1842 - Participação ativa dos Pindenses na Revolução Liberal.
1865 - Guerra do Paraguai - ao ser declamada a guerra contra o tirano Lopes do Paraguai, a mocidade de Pindamonhangaba levantou - se heróica e o grito de guerra ecoou nos peitos dessa valente mocidade; Pindamonhangaba enviou 44 voluntários à guerra do Paraguai e a população levantou também diversos donativos para as despesas da guerra.
1888 - Pindamonhangaba antecipa a Lei Áurea. O recenseamento de 1879 nos mostra que um quarto da população de pinda era escrava. Mas, aos poucos, a Campanha Abolicionista foi penetrando na mentalidade da gente de Pindamonhangaba. Assim, os fazendeiros Pindenses foram alforriando seus escravos, até que em 25 de Fevereiro de 1888 em nosso município não existia um só escravo.
1889 - Proclamação da República - Com a fundação do Clube de Republicano e os jornais " O binóculo" , " Folha do Norte " e a " Tribuna do Norte " , havia na cidade um clima favorável à mudança do regime.
1891 - A Independência Municipal desta cidade foi a primeira corporação do Estado que se manifestou contra o ato ditatorial do fundador da República - Marechal Deodoro da Fonseca.
1919 - Guerra à Alemanha - O povo dessa cidade, especialmente a classe estudantil, manifestou sua adesão ao Governo Brasileiro |