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FUNDAÇÃO
A Partir do século XVII iniciou-se o povoamento da região de Hepacaré, que se estendia de Taubaté a Lorena. Essa região era habitada pelos índios Geomemis e Puris, quando começou a entrada de brancos à procura de escravos índios e desbravando novas terras. Os paulistas vão ficando por aqui, dedicando-se à agricultura de subsistência (mandioca, milho, fumo, etc.) à pesca, à caça, ao apresamento de índios e, sobretudo, à procura de ouro nas Minas Gerais. Surge assim um povoado e, conforme costume da época, tão logo constituídas as povoações, passava-se a edificar a capela sob a invocação de um santo padroeiro, motivo pelo qual essas construções representavam sempre o primeiro marco de fundação. Foram vários os pioneiros na região: Jacques Félix, fundador de Taubaté; Antônio Bicudo Leme, seu irmão Braz Esteves Leme e o Padre Faria Fialho, primeiro vigário da paróquia, que aqui se estabeleceram.
Pindamonhangaba: Uma
cidade sem fundador
Ocimar Barbosa
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Taubaté, 9 de novembro de 1701. Auto de
Inventário que mandou fazer o JuizOrdinário e dos Órfãos, Antonio Delgado
de Oliveira, por morte de Izabel Antunes de Miranda, sendo inventariante o
seu marido Domingos do Prado Martins.
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| Do Arquivo Histórico "Dr. Waldomiro Benedito de Abreu" |
O auto foi lavrado na então
Freguezia de Nossa Senhora do Bom Sucesso, trazendo no final um provimento do
doutor Mathias da Sylva e Freytas, datado de Taubaté, aos 13 de junho de 1717,
mandando que, como Pindamonhangaba já fosse vila, nela novamente se fizesse o
inventário; a seguir vem uma certidão do escrivão dos órfãos de Pindamonhangaba,
José Leitão de Abreu, datada de 27 de maio de 1721, na qual declara não ter sido
possível concluir o inventário e partilhas.
A história de Pindamonhangaba é
coberta por uma espessa névoa secular pela seguinte questão: muito
provavelmente, um arraial teve início em período que remonta as primeiras
investidas dos portugueses na região. O esboço da vila nasceu por uma espécie de
simbiose, em forma de comunidade de taperas no Vale remoto sem um mentor
específico ou fundador principal.
Por isso, a dificuldade de se
atribuir a responsabilidade a uma fundação premeditada porque os que vinham,
ficavam apenas para a pernoite, enquanto os que ficavam eram responsáveis em
manter o ponto de paragens com víveres através da plantação, caça, criação de
animais e pesca. A missão era o apresamento de índios.
Não havia, dessa maneira, a formação de um núcleo definitivo porque todos se
sentiam "visitantes". Mais que isso: ainda não fora erguida nenhuma capela em
louvação e esse era o procedimento dos portugueses quando pretendiam criar um
marco inicial em novas terras.
Voltando no tempo
Em 7 de junho de 1494, portanto, seis anos antes da "descoberta" do
Brasil, os reis católicos, Isabel, do reino de Castella, e Fernando, soberano
de Aragão, assinaram um tratado de exploração das terras por se descobrir na
América. De alguma forma, os monarcas sabiam da existência de terras
desconhecidas do outro lado do Atlântico. Dessa forma, surgia o Tratado de
Tordezilhas - linha imaginária que traçava uma reta desde a Foz do Iguaçu até
a foz do Rio da Prata e Rio Paraguai - que delimitava as posses de Portugal a
leste e da Espanha a oeste dessa mesma linha. Cabral chegaria em 22 de abril
de 1500, trazendo nas caravelas a bandeira da "Ordem de Cristo".
Depois disso, 30 anos se passaram
até que a Coroa Portuguesa resolveu explorar a nova propriedade. Para cá foi
enviado o fidalgo português Martim Afonso de Souza com a missão de organizar
jurídica e administrativamente a nova colônia.
Os brancos chegavam
Para incrementar a povoação do Brasil Colônia, a pedido de Martim Afonso,
o Rei de Portugal D. João III resolveu criar em 1534 as capitanias
hereditárias, entre elas a Capitania de São Vicente, sendo seu primeiro
donatário, o próprio Martim ali já havia fundado em 1532, São Vicente, a
primeira vila do Brasil.
Sua neta, Marianna de Souza Guerra
- intitulada Condessa de Vimieiro - enfrentou conflitos sobre jurisdição de
terras com um parente. Assim, em 1623, o Conde de Monsanto recebera a posse da
Capitania de São Vicente, área que abrangia as vilas de São Vicente, São Paulo
(Piratininga), Sant'Anna de Mogy e as ilhas de São Sebastião e Santo Amaro
(Guarujá).
A Condessa reagiu e, assim, em
1624, fez da Vila de Itanhaém (pedra que soa, em tupi-guarani) a cabeça de uma
nova capitania com jurisdição sobre uma vasta região que abrangia as aldeias da
região, de Jacarehy até Cabo Frio.
Capitães-Mores-Governadores, cada
um dos quais governando uma determinada área da Capitania de Itanhaém, foram
nomeados pela donatária de 1624 até 1645.
João do Prado Martins
O Livro do Tombo, infelizmente desaparecido, registra que sesmarias foram
sendo concedidas no início do Século XVII na zona de
Taubaté-Pindamonhangaba-Guaratinguetá. Uma dessas sesmarias ficava na paragem
denominada Pindamonhangaba, concessão datada de 7 de maio de 1649 ao Capitão
João do Prado Martins.
Para o governo de cada região a
qual lhe competia, necessário se fazia para o governador nomeado pela Condessa
residir no local (no caso, Pindamonhangaba), e há indícios de que o Capitão João
do Prado Martins teria se estabelecido na região do Campo Alegre.
Tem mais: de acordo com a carta de doação, o Capitão-Mor João do Prado Martins
(1610-1653) já estaria vivendo em Pindamonhangaba no sítio e rocio da vila
desde 22 de julho de 1643, data que poderia ser considerada como a de
fundação de Pindamonhangaba.
Nos registros de Pedro Taques,
estava a Condessa de Vimieiro preocupada com as investidas do Conde de Monsanto
sobre sua possessão, por isso, enviou o bandeirante Jacques Feliz já em 1629,
conforme o documento "Livro do Tombo", concedendo-lhe uma "data de terras que ia
desde Pindamonhangaba até a tapera do gentio (Tremembé) para o rocio de uma
futura vila nos sertões de Taubaté".
Jacques Félix
No livro "Pindamonhangaba, Cidade do Segundo Reinado", a escritora Ebe
Reale, de posse dessa mesma informação, vai mais além e sugere que a fundação
de Pindamonhangaba seja creditada a Jacques Félix em 1629, ainda anterior à
Taubaté que foi fundada em 1645. Afinal, se o bandeirante e Capitão-Mor
responsável pelas terras do donatário precisava ainda realizar uma incursão
pelos "sertões" de Taubaté onde haveria de fundar a Vila de São Francisco das
Chagas em 1645, em algum lugar ele teria que já estar morando:
Pindamonhangaba?
O que a história tenta omitir é
que os portugueses, junto ao propósito de exploração, traziam a bandeira
do Cristianismo do velho continente para as colônias conquistadas e a igreja
fazia questão de impor seus costumes e suas crenças, sufocando as aldeias tupis.
Portanto, um arraial já deveria
existir em Pindamonhangaba antes das demais localidades. Com a fundação de
Taubaté, Pindamonhangaba passou então para segundo plano enquanto não se erigia
um templo em louvor a um santo qualquer, não era ainda considerada a fundação de
um lugarejo, sem seu respectivo padroeiro.
Onde entra Padre Fialho?
O Vale do Paraíba viu surgir em Taubaté, segundo os relatos históricos, a
construção da primeira capela, vai daí, ser considerada a primeira comuna
documentada oficialmente e juridicamente na região valeparaibana. Também
aconteceu em 1651, em Guaratinguetá, quando se ergueu uma pequena capela de
pau-a-pique e sapé em louvor criando-se a Vila de Santo Antonio de
Guaratinguetá.
Provável ter sido essa a luta do
Padre João de faria Fialho (que também era bandeirante), recuperar o prestígio
da comunidade primordial e não deixar como que o dízimo do arraial de
Pindamonhangaba fosse para lá. Os sertanistas moradores da Vila de
Pindamonhangaba, ao ver todas as riquezas em ouro e minérios que traziam de
Minas Gerais tomarem o rumo de Taubaté - pois lá foi erguida a sede da comarca e
uma casa de fundição - começaram a luta pela emancipação da Vila de
Pindamonhangaba e para isso, teriam que ter um padroeiro para o arraial: Vila de
Nossa Senhora do Bonsucesso de Pindamonhangaba.
O resto, é o que todos já leram em outras obras.
Há duas versões sobre a fundação de Pindamonhangaba:
Primeira Teoria
Fundação: 12 de agosto de 1672
Fundador: Antonio Bicudo Leme e Braz Esteves Leme
Os irmãos Leme adquiriram da Condessa de Vimieiro glebas de terra ao norte da Vila de Taubaté, bem á margem direita do Rio Paraíba. Aos 12 de agosto de 1672, Antônio Bicudo Leme e Braz Esteves Leme, iniciaram a construção da capela em honra a São José, fundaram a povoação de São José de Pindamonhangaba. Essa capela foi edificada no alto de uma colina, exatamente onde hoje se localiza a Praça da República (Largo do Quartel) Baseado nesta teoria, em 07/12/53 o então Prefeito Dr. Caio Gomes Figueiredo oficializou pela Lei n° 197 a data de "12 DE AGOSTO DE 1672" como a data da Fundação de Pindamonhangaba, tendo como Fundadores: ANTÔNIO BICUDO LEME e BRÁZ ESTEVES LEME.
Segunda Teoria
Fundação: 22 de julho de 1643
Fundador: Padre João de Faria Fialho
No início do Século XVII sesmarias vão sendo concedidas na zona de Taubaté - Pindamonhangaba - Guaratinguetá, destacando-se uma que é concedida em 17/05/1649, ao Capitão João do Prado Martins, na paragem chamada Pindamonhangaba. De acordo com a respectiva carta de doação, esse povoador, vindo de São Paulo, com a família e agregados já estava de posse de suas terras, naquela paragem, desde o dia "22 DE JULHO DE 1643", que é considerada a data de Fundação de Pindamonhangaba, pois o sítio então aberto por João do Prado se situava no rocio mesmo da futura vila e cidade de nossos dias. A partir daí, da paragem à margem direita do rio Paraíba, forma-se um bairro dependente de Taubaté, para onde vão afluindo novos povoadores e moradores. Começa a funcionar no bairro uma igreja, de porte pequeno, cujo orago é Nossa Senhora do Bom Sucesso. A sua ereção é devida ao padre João de Faria Fialho, considerado o Fundador de Pindamonhangaba. A igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso (a velha) estava edificada na atual Praça de República, passando seu orago para novo templo construído em 1707 (ainda pelo mesmo sacerdote) onde hoje é a capela-mor da Matriz. (Prof. Waldomiro Benedito de Abreu).
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