A colonização do Vale do Paraíba
Ocimar Barbosa
Em 7 de junho de 1494, portanto, seis anos antes da "descoberta" do Brasil, os reis católicos, Isabel, do reino de Castella, e Fernando, soberano de Aragão, assinaram um tratado de exploração das terras por se descobrir na América. De alguma forma, os monarcas sabiam da existência de terras desconhecidas do outro lado do Atlântico.
Dessa forma, surgia o Tratado de Tordesilhas - linha imaginária que traçava uma reta desde a Foz do Iguaçu até a foz do Rio da Prata e Rio Paraguai - que delimitava as posses de Portugal a leste e da Espanha a oeste dessa mesma linha. Cabral chegaria em 22 de abril de 1500, trazendo nas caravelas a bandeira da "Ordem de Cristo".
Depois disso, 30 anos se passaram até que a Coroa Portuguesa resolveu explorar a nova propriedade. Para cá foi enviado o fidalgo português Martim Afonso de Souza com a missão de organizar jurídica e administrativamente a nova colônia.
Para incrementar a povoação do Brasil Colônia, a pedido de Martim Afonso, o Rei de Portugal D. João III resolveu criar em 1534 as capitanias hereditárias, entre elas a Capitania de São Vicente, sendo seu primeiro donatário, o próprio Martim ali já havia fundado em 1532, a Vila de São Vicente que é considerada a primeira cidade do Brasil.
Assim surgia as cidades do Vale
Mais tarde, sua neta, Marianna de Souza Guerra - intitulada Condessa de Vimieiro – passou a enfrentar conflitos sobre jurisdição de terras com um parente. Assim, em 1623, o Conde de Monsanto recebera a posse da Capitania de São Vicente, área que abrangia as vilas de São Vicente, São Paulo (Piratininga), Sant'Anna de Mogy e as ilhas de São Sebastião e Santo Amaro (Guarujá).
A Condessa reagiu e, assim, em 1624, fez da Vila de Itanhaém (pedra que soa, em tupi-guarani) a cabeça de uma nova capitania com jurisdição sobre uma vasta região que abrangia as aldeias da região, de Jacarehy até Cabo Frio.
Para proteger suas terras das investidas do Conde de Montesanto, A Condessa passou a nomear e enviar, de 1624 até 1645, seus Capitães-Mores-Governadores, cada um dos quais governando uma determinada área da Capitania de Itanhaém, onde estava também integrado o Vale do Paraíba, fazendo divisa com as terras do Conde (região de Mogi da Cruzes).
O Livro do Tombo, infelizmente desaparecido, registra que sesmarias foram sendo concedidas no início do Século XVII na zona de Taubaté-Pindamonhangaba-Guaratinguetá.